Cirurgia cardíaca em bebês. Da complexidade das intervenções ao contato com a família

A cardiopatia congênita pode ser detectada ainda no útero materno. O diagnóstico precoce oferece aos pais a oportunidade de compreender sobre a patologia e se preparar para uma possível cirurgia, caso seja necessário. De acordo com a Dra. Sandra Pereira, coordenadora de cirurgia cardíaca da Perinatal, existem mais de 40 tipos de malformações no coração, e o trabalho de uma equipe médica, começa muito antes de uma intervenção propriamente dita. “Há casos que é necessário operarmos com dias de vida. Outros, não tão graves, merecem atenção, mas a cirurgia não se faz necessária. De toda forma, cada paciente é estudado minuciosamente pelo corpo clínico”, explica.

O pós-parto em situações como essa, se torna motivo de muita preocupação entre os pais dos recém-nascidos cardiopatas. De acordo com o cirurgião pediátrico da Perinatal, Dr. Jefferson Magalhães, dúvidas como a alta médica são as mais comuns. “Os familiares apreensivos comparam a cirurgia cardíaca de um adulto com a de uma criança. São intervenções distintas, que requerem um cuidado maior. Um coração malformado precisa de uma equipe capacitada para que funcione plenamente”, conta. E é através de um corpo clínico multidisciplinar que são executadas todas as etapas de uma cirurgia cardíaca em um bebê, participando desde psicólogos, anestesistas, instrumentadores até o cirurgião.

Os anestesistas são os primeiros a chegar. Eles também são os responsáveis por informar aos pais sobre a complexidade do caso. De acordo com a profissional Claudia Airoza, especialista na área, todas as questões técnicas devem ser ditas aos familiares. “Não podemos omitir nenhuma informação. Nosso papel é apresentar o quadro de forma sutil, verdadeira, sem negligenciar nenhum dado”. A partir dessa conversa, o acompanhamento psicológico se torna fundamental para aqueles aguardam do lado de fora do centro cirúrgico.

A espera também é um ponto importante na hora da intervenção. “Não podemos prever, mas a cirurgia pode durar de 10 a 12h, dependendo do caso”, explica Claudia. Mas antes de estarem todos a postos no centro cirúrgico, a sala é preparada para intervenção podendo levar 1h30 todo o processo. “São protocolos importantes a serem seguidos. É preciso estar tudo de acordo para quando o cirurgião entrar”.

Após muitas análises, exames e estudos, o cirurgião ao lado do seu corpo clínico conduz o trabalho com um único objetivo: oferecer qualidade de vida aquele paciente que acabou de nascer. Membros da equipe do Dr. Jefferson, por exemplo, relatam o cuidado que o cirurgião tem no momento da intervenção. “Ele conversa muito com ele mesmo”, relatam. E não é à toa. A concentração e atenção faz parte desse trabalho de reconstrução do pequeno coração. E não faltam provas vivas desse empenho em acertar. A Perinatal, hospital localizado no Rio de Janeiro, que Dr. Jefferson, Dra. Sandra e sua equipe atuam, ultrapassou a marca de 3.500 cirurgias cardíacas, com taxa de sobrevida de 94%, quando a média internacional é de 75%.

O pós

Seis horas após a cirurgia o risco de morte vai diminuindo. Esse é o período que a equipe médica chama de “montanha russa”, porque os familiares costumam ter diversas emoções durante o dia. “É um misto de esperança e medo”, conta Dr. Jefferson.

Nesse momento o bebê já está na Unidade de Tratamento Intensivo sendo assistido por outra equipe, sob a coordenação da Dra. Sandra Pereira. De acordo com a médica, a recuperação difere muito em cada caso, e não pode ser comparada – mais uma vez – a de um adulto recém-operado. “O pós-operatório merece muita atenção. Há casos, que outras intervenções serão realizadas mais adiante. O paciente precisa de todo suporte necessário”, explica Dra. Sandra.

Dados:

  • Cardiopatia Congênita é qualquer anormalidade na estrutura ou função do coração que surge no coração do bebê durante a gestação;
  • 1 em cada 100 fetos apresenta problemas de malformação do coração no mundo;
  • É responsável por 40% dos óbitos por anomalia congênita em bebês com menos de 1 ano;
  • A incidência é a mesma da síndrome de Down, e crianças com a síndrome têm 30% mais chance de apresentar doença do coração;
  • Média de sobrevida internacional é de 75%;
  • 70% dos casos de cardiopatia congênita necessitam de intervenção logo no primeiro ano de vida;
  • 1 em cada 3 casos necessita de cirurgia complexa no primeiro mês de vida;
  • Ao ano, são 28.846 novos casos no Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular;
  • Existem mais de 45 cardiopatias principais, podendo chegar a 150 subvariedades;
  • Mais de 30% dos cardiopatas críticos recebem alta das maternidades sem diagnostico, aumentando o risco de vida: “Muitos deles chegarão ao hospital já em estado grave de saúde e correm risco de morrer ou terem várias lesões e sequelas”, explica a Dra. Sandra Pereira, coordenadora de cirurgia cardíaca da Perinatal.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: