Método de modelagem ortopédica torna reparações estéticas de pacientes com lábio leporino mais precisas

Detectável no período pré-natal por exames ultrassonográficos, a fenda labial e palatina, pode afetar o sistema respiratório e a habilidade de fala. A lesão pode ser unilateral ou bilateral em formas parciais ou totais, com diferentes graus de acometimento em partes moles e no esqueleto facial. “A Perinatal possui uma tecnologia avançada para o diagnóstico intrauterino, que permite identificar diversas anomalias fetais. Saber sobre a má formação antes do parto favorece a aceitação da condição parte dos pais, que não são pegos de surpresa no nascimento. Também permite que seja organizado o atendimento neonatal com equipe de fonoaudiologia, ortodontia , pediatria e cirurgia plástica.”, ressalta Dr. Henrique Cintra, cirurgião plástico e Diretor do Centro de tratamento de Anomalias Craniofaciais da UERJ.

Nos casos mais simples, em que a fenda é superficial, executa-se apenas a labioplastia. Quadros mais extensos, com fissura labial e palatina, exigem também a palatoplastia e, finalmente, a enxerta óssea alveolar, que deve anteceder a erupção do canino definitivo, ocorrida após os 8 anos.  No caso de afetar apenas o lábio a correção é mais simples e a evolução é mais rápida. No entanto, quando a gengiva estiver comprometida pela fenda, é necessário reconstruir parte da estrutura óssea para permitir o crescimento dentário. “O ideal é que a primeira intervenção cirúrgica, para a correção da fenda labial, ocorra em torno do terceiro mês de vida, e a do palato entre 12 a 18 meses, quando há o desenvolvimento da fala”, recomenda o médico.

Realizada sob anestesia geral do paciente e por cirurgião plástico especializado em fendas labiais e palatinas, a operação consiste na aproximação de pele, músculo e mucosa. Além de reposicionar estas estruturas de forma anatômica, corrige-se a arquitetura das cartilagens nasais colapsadas e o soalho nasal é refeito. Quando a fenda é unilateral, o objetivo final é obter a forma anatômica perfeita em relação ao lado não fissurado. Nos quadros bilaterais, em que não há referência de normalidade, o objetivo é a obtenção de um lábio de dimensões e movimentos normais e o reposicionamento das vertentes fissuradas em torno da porção central, chamada de prolábio. A cirurgia do palato, realizada entre 12 e 18 meses de vida, consiste em fechar a passagem da cavidade oral para a nasal e reposicionar os músculos responsáveis pela fala. “Não é raro que pessoas acometidas por lábio leporino, que vivem em em áreas remotas do país onde não haja atenção especializada, cheguem à vida adulta sem terem passado por tratamento cirúrgico. A deformidade não tratada na infância acarreta grande sofrimento emocional e dificuldades para falar, se alimentar e até respirar”, relata o especialista. 

Hoje em dia um dos avanços neste tratamento é a modelagem ortopédica das estruturas do nariz e do alvéolo – osso que dá suporte aos dentes. Este procedimento é realizado antes da cirurgia e proporciona melhores resultados estéticos logo na primeira intervenção.

Existe uma combinação de causas que podem acarretar a má formação lábio palatina. Além da presença do gen, fatores ambientais são determinantes. Deficiência nutritiva, tabagismo, infecções, exposição à radiação ionizante e uso de medicamentos ou drogas com ação teratogênica durante o primeiro trimestre de gravidez são algumas destas razões. “No período pós-operatório,  é preciso manter as incisões limpas, e colocar talas que limitem os movimentos dos braços da criança, para evitar traumatismos causados por ela própria. Em casos de operação no nariz, recomenda-se o uso de modeladores nasais de silicone por aproximadamente três meses. A retirada dos pontos ou da cola ocorre após uma semana”, explica o médico.

Segundo Dr. Henrique Cintra, atualmente, a cirurgia reparadora da fenda labiopalatina permite atingir uma reabilitação plena quando associada aos cuidados multidisciplinares como a fonoterapia, ortodontia , cirurgia bucomaxilofacial, entre outros. “Estes cuidados seguem sendo necessários até o final da adolescência quando o crescimento estará finalizado. É um trabalho que exige a colaboração dos pais e muita dedicação da equipe assistente, mas que no final permite atingir a normalidade estética e funcional necessárias para uma vida plena e saudável.”, finaliza.

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