A agilidade no diagnóstico salvou vidas

Grávida de 38 semanas, a paciente procurou a emergência da Perinatal com náuseas e mal-estar, que progrediram com vômitos. Ela também pedia por água gelada a todo tempo. Seguindo o protocolo de atendimento, a avaliação clínica e obstétrica, aliadas a uma bateria de exames, comprovou que o bebê estava bem, mas que as notícias sobre o quadro clínico da mãe não eram satisfatórias. O diagnóstico mais provável era de um caso raro de Esteatose Hepática Aguda da Gravidez. Pela gravidade dessa doença, com risco de vida para as mulheres grávidas e seus bebês, a equipe médica do hospital realizou investigações rapidamente. Tratava-se de uma disfunção hepática aguda que só ocorre na gravidez, potencialmente grave, com risco de vida tanto materno quanto fetal. O Dr. Roger Rohloff, Coordenador das UTIs da Mulher da Perinatal, acompanhou desde o começo toda a assistência. “A paciente iniciou seu tratamento ainda na emergência com hidratação venosa. Em seguida a encaminhamos rapidamente para Unidade de Terapia Intensiva. Lá constatou-se, que por apresentar insuficiência renal e hepática deveria ser transferida, logo após a estabilização clínica, para o centro cirúrgico. Foi realizado o parto e a interrupção da gravidez”, conta.

Acompanhado pela equipe de neonatologia, o bebê nasceu bem e não ocorreu nenhuma intercorrência materna imediata durante o parto. A mãe foi encaminhada para a UTI no pós-operatório. “Ela estava lúcida e foi então instruída a relatar qualquer alteração mental. No terceiro dia após a cesárea, foi percebido um estado de sonolência e ela confirmou que vinha observando pensamentos estranhos, sugestivos então de distúrbios da função mental. “Com a falência ocorrendo no fígado, ela desenvolveu um distúrbio de coagulação associado a uma encefalopatia hepática aguda, evoluindo também para uma insuficiência respiratória”, relata Dr. Roger. O médico conta que houve queda da pressão arterial e foi necessário utilizar substâncias vasopressoras em altas doses, além de entubar a paciente, colocando-a em ventilação mecânica. Um volumoso hematoma de parede abdominal foi acompanhado pela equipe de cirurgia geral. “Ela desenvolveu ainda um quadro de paralisia intestinal, que chamamos de ‘pseudo-obstrução intestinal’, com sepse bacteriana”, explica. 

Sessões de hemodiálise e plasmaferese fizeram parte de sua rotina na UTI, combinada com transfusões de sangue, uso de antibióticos e nutrição parenteral. Segundo Dr. Roger, a família esteve ao seu lado durante toda a internação, em integração com a equipe assistencial, contribuindo para a sua recuperação. Aos poucos ela foi apresentando melhora. “Mantivemos a fisioterapia, iniciamos o desmame da ventilação mecânica, e retiramos os cateteres mais invasivos”.

Esses foram os primeiros passos para sua despedida da Unidade de Terapia Intensiva, após um mês de internação.  Já o bebê teve alta no prazo normal e passou a ir visitar sua mãe para amamentar. Logo em seguida, foi a vez da paciente poder aproveitar a família, dessa vez em sua casa.

Atendimento preciso

Segundo o Dr Roger, a agilidade no atendimento, desde sua entrada na Perinatal, foi crucial para que a paciente e seu filho vivessem. “Na UTI da Mulher da Perinatal, também chamada de UTI Materno-Fetal, a paciente recebeu toda a assistência necessária da equipe multidisciplinar presente. O monitoramento e o tratamento intensivos fazem parte da rotina da instituição, que tem como protocolo investigar prontamente mesmo os casos considerados mais raros”, pontua o médico. 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: