Aedes Aegypti coloca mães em perigo durante o verão

Doenças transmitidas pelo mosquito podem causar doenças graves a mães e fetos

O verão trouxe novamente a preocupação com o Aedes aegypti.  Por conta das previsões de umidade para a estação em 2017 serem maiores que os números registrados no mesmo período do ano anterior, o mosquito tende a se multiplicar ainda mais.

 

Dr. Renato Sá, chefe do setor de obstetrícia e medicina fetal e coordenador do Centro de Cirurgia Fetal e Neonatal (CCFN) da Perinatal, afirma que os problemas causados pelas doenças são ainda maiores para as grávidas. No caso da Zika, além do risco de microcefalia, lesões neurológicas podem se manifestar no bebê mesmo meses após o nascimento. O médico conta também que, além do risco de microcefalia, a Síndrome da Zika congênita é uma das maiores preocupações dos especialistas da área.

 

“São problemas no sistema nervoso da criança que vão além da microcefalia. Algumas manifestações podem aparecer depois do bebê ter nascido, mesmo não tendo sido identificadas durante a gravidez”, conta, recomendando que as mães que contraíram o vírus sejam acompanhadas até três meses depois do parto para afastar os riscos.

 

A maior característica da doença é a vermelhidão no corpo. Mas o mais perigoso é o fato de que 80% dos casos são assintomáticos. Ou seja, a mãe pode não saber que está infectada ou o marido não apresenta sintomas e a infecta por transmissão sexual. “Ainda não temos conhecimento das sequelas para a mãe. É uma doença nova e sabemos ainda pouco a respeito. Como vírus tendem a causar o estrago e desaparecer, é possível que não haja sequelas para quem não os manifestou durante a infestação”, explica.

 

Mesmo a já conhecida dengue pode ser perigosa para gestantes. As maiores diferenças dela para as outras doenças é a dor no corpo e a diminuição na contagem de plaquetas, podendo causar hemorragia. “Algumas mães tiveram lesões na placenta por conta das reações inflamatórias fortes causadas pelo vírus. Isso causou problemas no feto, como edemas e sequelas no crescimento do bebê”, conta o médico. E mesmo quem já teve a enfermidade, pode voltar a sofrer. “Existem vários sorotipos diferentes de dengue, ou seja, o risco continua, pois a doença pode voltar a se manifestar de outras formas virais”.

 

Similar à dengue, a febre amarela apresenta o mesmo quadro viral. De acordo com o médico, o recente surto em Minas Gerais não parece causar grande risco se for rapidamente controlado. “É uma doença que preocupa menos, pois precisa da proximidade com o agente contaminante, no caso, o macaco. O controle também é melhor e mais fácil por existir uma vacina específica para ela. No entanto, ainda não se sabe muito sobre suas consequências durante a gravidez”.

 

O ano também será de maior preocupação com a chikungunya. Projeções da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro apontam que até metade da população pode ser infectada pela doença. “A comunidade médica ainda conhece pouco sobre a doença, mas, sabemos que pode causar até insuficiência respiratória em mulheres”, conta Dr. Renato. Ainda é um mistério sobre suas consequências em fetos e as sequelas definitivas ainda são um mistério. “A gente achava que a zika não causava problemas durante a gestação até que se percebeu uma correlação com os casos de microcefalia”. O que difere a chikungunya dos outros vírus é a dor nas articulações, a miosite, que pode perdurar até seis meses após o surto.

 

Para se prevenir do mosquito, além de eliminar os focos, as gestantes devem manter os corpos cobertos e evitar ter relações sexuais sem camisinha, mesmo que o parceiro não apresente sintomas da doença. “Cerca de 80% dos casos de Zika, por exemplo, são assintomáticos, então, durante a gravidez, é importante se manter protegida”.

 

Surto de sífilis também preocupa

Outra situação que está gerando preocupação nas consultas de pré-natal é o retorno da sífilis, doença antiga que está atacando as gestantes. “É outro caso grave que deixa sequelas para ambos. Dependendo do grau – pode ser primária, secundária ou terciária – pode causar problemas neurológicos e confusão mental na mãe. Já no bebê, pode ser devastador, com risco de causar defeitos neurológicos e problemas de pele”, explica Dr. Renato, que ressalta a importância da detecção precoce. “Se diagnosticada com antecedência, pode ser tratada com penicilina. E a prevenção é a mesma das outras DSTs: evitar a relação desprotegida, usando sempre preservativos, mesmo grávida e com um parceiro fixo”.

 

Para tratar todas essas adversidades que preocupam as gestantes, foi criado o Centro de Infecção Congênita da Perinatal. O espaço faz o acompanhamento das alterações no feto e na gravidez, com o objetivo de evitar sequelas para o bebê. Além das doenças ocasionadas pelo Aedes aegypti e a sífilis, o local também trata outras patologias graves para gestantes, como citomegalovírus e toxoplasmose. “A paciente é encaminhada pelo médico para que possamos fazer o diagnóstico – em algumas, colhemos líquido amniótico para análise – e, dependendo da doença, ela passa pelo tratamento conosco”, informa Dr. Renato.

A gestante que perceber os sintomas de Zika ou qualquer outra doença pode também agendar uma consulta diretamente com a equipe, através do número (21)2102-2300, opção 1.

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